GRUPO DE FORMAÇÃO

Produção literária,dos participantes da oficina,  em ordem alfabética:

 

  1. Clemilda Santana da Silva

Ponto de vista de minha criança sobre meu eu adulto

Imagine que ela cresceu, ficou adulta, cheia de escrúpulos, toda cuidados, fala pouco, perdeu aquela ousadia que eu sempre tive e muitas vezes era criticada pelos mais velhos.

Mas mesmo assim, ela ainda carrega um pouco de mim, mas eu era mais destemida. Vejo que ela poderia buscar sua independência, desatrelar seu caminho do dos outros, ir mais além, porque na sua liberdade de criança viajava no “País das Maravilhas de Alice”, contemplava o “Pequeno Príncipe” e se sentia mais aberta às descobertas.

Viaje, me busque no seu interior e façamos peraltices que nos embale frente à beleza dos “Lírios do Campo”.

 Os nove meses de vida flutuante

Sim, foram nove meses de vida flutuante. Flutuava naquele liquido que me garantia a vida, ali estava segura, protegida, navegava para um lado e para o outro como em mergulhos que me faziam sentir gratificada pelos momentos de paz.

Houve um momento em que chorei. Será que era de frio, de fome, por quê?

Sei que nesse período me senti desejada, amada e toda minha construção era acompanhada pelos meus pais que sempre me deram muito amor e carinho.

 

 O dia em que eu nasci

Nasci era dia 26 de julho

Nasci primogênita

Sob as bênçãos de Santana.

De quem herdei essa graça

 

Clemilda Santana, é o meu nome

Vim rodeada de pais e parentes

Nasci em casa, Dindinha foi a parteira

Mainha e Pai minha segurança.

 

2. Márcia Falcão Barreiros

Esse Chico

Esse Chico, parece nosso velho chico. O cabra pega a voz e faz remar multidões por onde bem quer. Dessa vez o nordeste, a nossa diversidade, o nosso forro, a nossa cultura, o nosso ´povo. E essa moça, boa de imaginação, me pegou na embarcação e de mãos dadas fomos nos apresentar. Nas mãos uma sanfona, e na memória, uma época em que ficou nas brenhas do nordeste seco, mas farto de tudo mais.

Me desaguei

O calor foi tanto que me desaguei!!  Dias, meses, anos… talvez. La “praquelas” bandas, onde parece que deus esqueceu de olhar, me desaguei. Foi tanta gente, tanta gente a se deliciar de mim, que por momentos, esqueceram o tormento por tantas faltas.

Naquele dia, mulheres com trouxas guardadas, saiam, bacias generosas na cabeça, o sabão, não só acariciava a roupa, seus corpos e os longos cabelos. Crianças, gritavam alegremente, celebrando a vida. Água, muita agua a cair do céu.

Era uma festa de fartura que caricia há um ano pelo menos. E ali, onde menos se esperava estava ela, aquela moça da cidade. Talvez perdida, procurando algo, que nem soubesse o que.

Era uma mistura de encantamento, estranheza, felicidade … quem sabe?

A moça olhava com olhos d’água, a falta e a abundância, nunca haviam convivido tão próximas.   Eram irmãs, descobrira.

E agora o que ela fará?

Nada seria como um dia foi, havia sido tocada por uma força, que jamais imaginará existir.

A verdade não era aquela que aprendera, nas falas, nos conceitos, nos livros. A verdade era ali, aquelas pessoas, a sobrevivência, a seca, o inóspito da vida que convivia tão próximo ao acolhedor.

Aquela galinha, a última, talvez por meses. A fome a espreitar.

Aquele bode, o ultimo, sem limão nem especiarias, sal pouco. A fome como companheira, e ela ali entojando o melhor que nem eles se davam ao luxo de ter assim.

O medo, a culpa, a fome, a fome, a falta, a falta, o excesso, tanto, tanto.

 

Personagens Internos: os sombrios

Ele sempre esteve ali, naquele lugar, rodeando ela. Sempre apontava os defeitos, olhava a vida como uma navalha, o crítico um dia teve o papel de proteção, mais com os anos se tornou cruel, paralisante. E não estava só, andava com um sujeito chamado perfeccionista. Os dois fizeram muito estrago na vida daquela moça. Ou melhor dizendo, a fizeram paralisar, por medo.

Hoje, ela sabe que eles estão aí, mas aprendeu a ouvi a voz e negociar a paz. Aprendeu a deixar falar outros personagens mais sábios. E de vez em quando os convida a sentarem à mesa para um café regado a um bom papo.

 

Personagens internos: os amigos

Tenho alguns personagens em mim, que me confortam e nutrem, me fazem sentir que existo. Dentre eles, meu escritor interno que junto a minha criança imaginativa fazem encantamentos, constroem esperança, beleza, poesia. Tem o poder de me fazer feliz, tiram tudo que torna a vida sem graça, pesada. As palavras parecem andar em campos mágicos, descem pegam o que ouvem sussurrar no fundo de mim, e quando saem trazem consigo um balsamo que diz tanto de si. A artista interior traz um lindo fio colorido de imagens que conecta a vida vivida e reescrita.

Viagem (rigidez)

Chovia muito naquele dia, aproveitava para apreciar a vista. Olhou pela janela e viu um enorme bambuzal.  O vento era forte, chegava a uivar, e foi assim que viu uma cena que jamais esqueceria. Os bambus não resistiam ao vento, se inclinavam para depois voltar a reerguer-se. Depois de algum tempo vendo tal paisagem, pensou em como era mais fácil deixar-se fluir nas situações. De como ter sido difícil todas as vezes que se entesou, endurecida diante de algo que presumia ser o correto, a única coisa a ser feita. Como havia sido duro nos tempos do certo, nos tempos da minha forma. Lembrou dos tempos da razão e esboçou um leve sorriso, estava aprendendo a navegar, deixava-se fluir. Já podia.

 

3. Maria de Lourdes de Freitas Sousa

Contradição

Tarde de sol,

Momentos felizes,

Mundo indiferente,

Segue seus passos.

 

Como não notar!

O que é belo?

O que é sincero?

Ensolarado…Felizes…

Indiferentes seguem….

 

O Choro

O choro do bebe ao nascer é de libertação?

Liberta-se é iniciar a missão!

Chorar é libertador!

Liberta o aperto no peito.

Liberta a opressão.

Chorei muito ao nascer?

Não sei! Hoje choro pouco.

Penso! Já me libertei??

 

Rigidez!

O que essa menina tem,

Que não houve antes de falar?

O pensamento acelerado?

Vontade de viver o presente?

Nem pense em lhe mostrar seus defeitos!

Logo, logo sairá chama,

Que pode ser fogo de palha ou um incêndio incontrolável.

A rigidez pode vir da infância, onde com tantos irmãos era cada um por si!

Ficar na defensiva, não dar o “braço a torcer”!

Será que vai ter que si quebrar pra aprender?

 

Mundo intermo

Vivo sonhos de olhos abertos,

Ou vivo meus sonhos?

Sonho que sou amada e amo de volta!

Sonho que mesmo não sendo amada, posso amar o que quiser da pessoa amada!

Posso ser livre!

Sem carregar o peso da opressão!

Meu mundo interno é colorido!

Já o externo, está em construção!

Sei que é difícil confiar!

E confiando é fácil se decepcionar!

Mas, aposto no meu mundo interno, quando o externo está um CAOS!

 

Quem sou?

Vou viver quantos anos?

Sei lá!

Sofri mutações ao longo deles.

Umas boas, outras nem tanto!

O tempo é amigo?

Ás vezes!

Vou confrontando minhas verdades!

Vou descobrindo quem sou!

Nem boa, nem má!

Amadurecendo, crescendo, vivendo!

 

 

4. Nilvane Machado Novais

Palavras 

Sertão de terras nordestinas

Que busco em cada canto que passo

Com sua presença marcante,

Na vida do ruralista encantado

Nos seus vários tons, entre alegria, tristeza e fé

A beleza encontra o coração

Do povo sofredor que não lança a mão

Do luar do seu rincão

 

 O que eu descobri

O que eu descobri? Que pergunta difícil quando sei que há muitas em mim.

Seria está a descoberta?

Descobri que por mais que o passado esteja longínquo, ele mora em mi.

Descobri que por mais que eu diga que ficou, continua aqui.

Descobri que por mais que o coração seja forte, ele fraqueja diante do que insisto em não falar.

Descobri que por mais que minha postura corporal fale por mim, consigo deixar latente o que ficou lá atrás.

Descobri que tenho muitas possibilidades e que eu não quero escolher.

Descobri enfim, que sei AMAR no presente.

 

“Entre o mundo externo e o mundo interno”

Aconchegada nas lembranças

Onde o tempo se faz mistério

Encontro cenas marcantes

Que surgem como algo estéril

E onde penso fugir

No despertar dessa sensação

Encontro meu eu que está aqui

Fazendo presente o que se foi

Ficando o fantasma que não se mata,

Mas que se reproduz

Não penso no que fui

O que tenho deixado de ser

Mas o que ficou em mim

Desse tempo que se faz aqui

Vindo de sombras passadas

Seus personagens perseguidores

Ele chegou sorrateiro como que quisesse esconder dela, mas o sentia ali. Em cada momento em que ela o procurava, não o via. A todo tempo em suas elaborações ele se fazia presente. O que fato queria? Mostrar que ela não podia ser diferente? Teria que ser mesmo aquela que sempre acerta e nunca erra?

Na verdade, o que ele tentava sempre era desafiar a sua sensatez por meio do que ela acreditava realmente controlar. Não! Ela era passível de erros e acertos, mas ele teimava a lhe provocar e aparecia novamente, e mexia com ela.  – Você não pode errar!

Palavra de outros

Um jovem recebeu a missão do seu guru: sair, caminhar por entre as ruelas de vila em busca de ouvir as palavras de outros.

Assim o fez. No final da tarde retornou para encontrar seu guru. Perguntou o guru: – E aí, o que ouviu na sua caminhada?

O jovem respondeu: – Muitas palavras ditas e também não ditas. As ditas, foram algumas vezes, como espinho que penetra na pele. Não mata, mas fica ali a dilacerar com sua ponta que mais fere a alma do que machuca o corpo. Outras, foram bálsamos aos ouvidos, penetravam como melodia que o coração.

As não ditas, mestre, foram mais difíceis. Inaudíveis, porém com uma força no olhar que traziam a muitos questionamentos sobre a vida: o por quê ser de forma tão diversas para cada um, onde estou e o que faço para que as palavras possam sair de todas as bocas como forma de melhorar um ao outro.

– Assim, meu guru, retornei com a certeza de que as palavras podem ser proferidas ou não, mas estão no todo que sou eu.

 

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