Este espaço se propõe a trazer outras palavras.  Palavras de outros, a sua, a minha, as de nossos autores preferidos. É um espaço de troca, um espaço para se ” trocar  figurinhas”, de abertura para a comunicação com o mundo.

 

Alguns dos meus preferidos

Hacer de la interrupción un camino nuevo

hacer de la caída, un paso de danza
del miedo, una escalera
del sueño, un puente
de la búsqueda, un encuentro.

Fernando Pessoa

 

La diferencia entre vivir desde el alma y vivir sólo desde el ego radica en tres cosas: la habilidad de percibir y aprender nuevas maneras, la tenacidad de atravesar senderos turbulentos y la paciencia de aprender el amor profundo con el tiempo.

Sería un error pensar que se necesita ser un héroe endurecido para lograrlo. No es así. Se necesita un corazón que esté dispuesto a morir y nacer y morir y nacer una y otra vez.

Clarissa Pinkola Estés

 

Táctica y estratégia (del libro Poemas de otros)

Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sosmi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructiblemi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos
mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos
no haya telón
ni abismosmi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simplemi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.
Mário Benedetti
Todo lo contrario (del libro Poemas de otros)

Colecciono pronósticos

anuncios y matices
y signos
y sospechas
y señales

imagino proyectos de promesas
quisiera no perderme
un solo indicio

ayer
sin ir más lejos
ese ayer que empezó siendo aciago
se convirtió en buen día
a las nueve y catorce
cuando vos
inocente
dijiste así al pasar
que no hallabas factible
la pareja
la pareja de amor
naturalmente

no vacilé un segundo
me aferré a ese dictamen

porque vos y yo somos
la despareja.

Mario Benedetti

 

En Poemas de otros

Para que pueda ser he de se otro,

salir de mi, buscarme entre otros,

los otros que no son si yo no existo,

los otros que me dan plena existencia.

Octavio Paz

 

Honra aos Méritos

 Lucas 

Este ano, 2014, recebi na cerimônia da minha formatura uma homenagem de Honra ao Mérito pela reitoria da universidade onde estudei. Este reconhecimento é algo que faz parte do processo de formatura, onde está regulamentado que o aluno que esteve todos os semestres nesta mesma universidade, não perdeu em nenhuma matéria e que teve as notas mais altas

da turma de formatura seria homenageado. Receber homenagem é um feedback muito bom, principalmente depois de 5 anos de estudos e em uma grande cerimônia de formatura. Fiquei feliz por isto. Contudo, me pus a refletir sobre esta ênfase academicista na nota e no destaque de um aluno dentre tantos outros que tiveram grandes feitos no seu cotidiano da graduação só por causa desta. Isto me remeteu ao meu longo processo de escolarização que trarei resumidamente neste texto. Iniciei minha vida escolar em uma escola linda: Casa Via Magia. Lembro muito bem e me traz memórias emocionantes a interação com todos na escola. O

aprendizado era fantástico: tudo o que a gente aprendia fazia sentido. Não tinha farda. As aulas sobre a flora eram feitas em hortas, onde a gente aprendia a plantar, regar, acompanhar o crescimento, colher.  Quando se falava sobre os impactos do ser humano no meio ambiente, nós éramos convocados para a prática: economizar água, coleta seletiva, reciclávamos papéis,

cuidávamos dos animais. Logo que aprendíamos a ler e escrever, fazíamos o nosso próprio livro e vendíamos numa feira. O preço era a gente que escolhia e com isso aprendíamos um pouco sobre comércio e matemática. Aprendíamos nossa cultura com aulas de capoeira angola entre outras coisas típicas de nosso país. Tínhamos aulas e depois o conhecimento era construído coletivamente: dialogávamos com os colegas e tínhamos a mediação de um

professor e estagiários.

De repente, os anos passam e tive que mudar de escola, pois infelizmente a Via Magia ia até a 4ª série. Logo senti o impacto da mudança: precisava usar farda, tênis, tinha prova toda semana, surgiu o fantasma do vestibular e um imperativo: estude um mínimo de horas por dia! O estudo que era feito naturalmente, agora era obrigação e tinha uma maneira certa para fazer: sentar numa mesa e ficar muitas horas estudando, com pouco tempo de intervalo. Era

como se não pudesse construir conhecimento de outra maneira.

A escola tinha bons professores e colegas legais. Tinha aula de informática, esportes, recreio, tudo rigidamente definido. Mas na minha percepção havia algo de estranho. Algo faltava nisso tudo: o sentido. Não sabia o por quê de usar farda, calça jeans, tênis e muito menos o significado de algumas aulas. As aulas de biologia em uma sala sem uma muda de planta e nem um animal fazia menos sentido ainda. As fórmulas de matemática não esclareciam nada sobre o meu cotidiano, ao contrário, complicava mais minha vida em ter que decorá-las. Geografia, história, português, enfim, não me despertavam curiosidade como na outra escola. O resultado foi o aumento da falta de interesse pela escola. Não tinha significado para mim, ficar enfileirado em uma sala de aula ouvindo um professor falar, tendo que copiar as coisas no caderno e sem saber por que fazer tudo aquilo.

Passei, então, a ir à escola por obrigação e estudar apenas na véspera da prova só para passar, pois não aguentava aquilo. Na Via Magia, a motivação para o estudo era um processo comum, não era necessário esforço para isso.

A busca do conhecimento acontecia naturalmente porque havia curiosidade, havia um interesse em buscá-lo. A história, a geografia, a literatura me fascinavam e me faziam correr em direção a elas. Pois bem, a conclusão do ensino fundamental e médio foi muito difícil, com notas medianas, algumas reprovações e dificuldade imensa em ter que acordar dia após dia para ir para escola. Não fui aprovado no vestibular para uma universidade pública, e como

tinha sido aprovado numa universidade particular, decidi cursar, afinal não aguentava assistir uma aula de cursinho pré-vestibular onde os professores criam músicas para os alunos decorar fórmulas de física e matemática.

Para entrar na universidade, fiz a escolha de uma graduação de meu interesse e, dentro desta, os assuntos que eu estudava faziam sentido, pois eu sabia o que eu procurava ali. Busquei conhecimento, fui além e lembrei do meu grande motor de aprendizado: minha curiosidade. Nos cinco anos de graduação, estudei tanto (e gostava de fazê-lo) que era como se eu tivesse ficado em débito com algo que na minha infância eu gostava (buscar o conhecimento), mas que o ensino fundamental e médio tinham interrompido e mudado a direção. Fiz um excelente curso superior, mas os anos sem sentido e tediosos do ensino fundamental e médio haveriam de deixar uma marca: a relação com as notas.

De repente na graduação me vi tirando sempre notas altas e ficava incomodado se tirasse nota abaixo de nove. Isto foi um novo lugar para mim.

Estava querendo provar algo: na época de escolarização eu tirava notas baixas por estar em um modelo educacional vazio, e não por uma dificuldade minha.

 

DESDE LONDRES (Ana Claudia Freitas)

Graci,
Fiquei com vontade e escrevi este breve relato!!
Caso possa, adoraria ajudar a alimentar este filho!!!  rsrs
beijão,
Ana
“Todo ponto de chegada é um novo ponto de partida” esta é uma das maiores certezas da minha vida e foi com esta certeza que aceitei o desafio que o universo preparou para mim. Nunca esteve em meus planos namorar um estrangeiro e muito menos me casar com um. Mas foi um destes que a vida colocou no meu caminho e ao longo de cinco anos nos tornou cada vez mais próximos. Tão próximos a ponto de querer compartilhar a vida e assim fizemos. Casamos. Já sabia que o caminho seria mudar, mudar completamente. Mudar de rua, de bairro, de cidade, de país, de continente. Absolutamente tudo novo. Casa, amigos, cultura, clima, comida, rotina, estilo de vida, língua … Sem brincadeira tenho falado mais “please” e “sorry” do que falei “por favor” e “desculpas” em toda a minha vida. Welcome to Reino Unido!!  Eles são tão formais e tão educados que a princípio me pareceram chatos, mas com o tempo fui percebendo e absorvendo isto e agora, com somente três meses de convivência já me vejo falando “sorry” e “please” a torto e a direita. É impressionante como na escada rolante TODOS permanecem a direita para deixar a esquerda livre para quem tem pressa. Mas enfim este não é um relato para falar dos costumes, isso virá num outro momento!! O fato é que por aqui estou. Cheia de desafios e com o coração tão aberto. Tenho medo, oh se tenho, mas como já ouvi tantas vezes numa escola chamada CIEG, pego meu medo e coloco debaixo do braço. Eu que conduzo ele. Sigo integrando meu “pensar” ao meu “sentir” e ao meu “fazer”!!!!

 

 

EFIMERO – Graciela Chatelain

Fuimos mariposas

El tiempo nos duró

Apenas un sueño

Fuimos colores

De libertades

Fugaces

Eternos fantasmas

Sin noche

Letanía de una llama.

Solo imágenes

en purpúreos sonidos bilabiales

llegarán tenues

poblando

ese escenario interior

que nos trasciende,

que nos hace luz.

Salvador – 07/07/91

 

TU FANTASMA – Graciela Chatelain

Desde mi orilla vulnerable

Temo a tu fantasma de mareas

Por no sentir

Te

pienso

Se acostumbran

mis deseos

a la inasible realidad

de álamos jóvenes

donde descansas

y vuelves.

Buenos Aires, 1989

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